A Dona Mudança

A Dona Mudança

Você já passou por uma grande mudança na vida, aquela “virada de chave” que te fez sair da sua zona de conforto?

Durante os meus anos no mundo corporativo ouvi muito falar sobre o tal “Change Management”. Não tenho estudos sobre, mas conhecer pessoas te faz perceber algumas nuances. É sabido que existem estágios diferentes na aceitação da mudança, mas você já percebeu que existem perfis diferentes entre aqueles que lidam com esse momento inevitável da vida?

No primeiro grupo, o medo, a ansiedade e a frustração por estar saindo do conhecido e indo em direção a algo totalmente novo e inexplorado são sentimentos presentes e justificados: não se mexe em time que está ganhando. Mas o segundo grupo também é justificado: mudanças são inevitáveis, aprenda a “surfá-las”. Essas pessoas podem até sentir medo e ansiedade no processo, mas sabem que são sentimentos passageiros, conseguem ficar “na crista da onda” e não se deixar afundar.

Sabe aquele especialista em gestão da mudança, com MBA em Harvard, cinco pós-graduações e ampla experiência que a empresa contratou? Sabe aqueles seminários que são repletos de gestores querendo aprender a como passar para o seu funcionário que ele está entregando menos porque não sabe se adaptar ao novo e não porquê a cobrança é abusiva e incoerente, e aquele seu chefe que participou dessa palestra e desse seminário para te dizer em reuniões que “o time” carece desse conhecimento? Eles não te contam que você pode sequer ter medo da mudança, nem se sentir frustrado por sair do lugar. Você pode, na verdade, desejar que as coisas se inovem, mudem, se transformem em algo completamente novo.

Eu não tive medo quando ela bateu na minha porta. Ela veio com uma foice para cortar correntes que me ligavam a um emprego, à pessoas, à lugares, à sentimentos e emoções. Cada vez mais eu ansiava por novidades. Sentia uma necessidade gritante de renovar tudo a minha volta e, sinceramente, não importava com o quê ou quem fosse permanecer. Eu queria reescrever histórias e começar do zero. Eu desejava a mudança. Se expor assim para o mundo, torcendo que no próximo dia tudo mude, é perigoso, mas ao mesmo tempo extremamente recompensador.

Receber a mudança encerrou muitos ciclos, mas me fez abrir outra porta, a muito tempo fechada. Uma porta lá no canto, bem afastada. Ela tinha uma plaquinha pendurada onde se lia “Altamente difícil. Para a sua felicidade.”. Novos começos por fim estão chegando, novas pessoas, novos lugares, novas experiências.  

Você também tem uma “porta” por muito tempo ignorada? Se a dona Mudança te encontrar hoje como você reagiria? Conseguiria largar tudo, casa, emprego, amigos, família, namorado, namorada, marido, esposa, faculdade, escola? Por “largar” não entenda como desaparecer de vez, mas por escolher essa nova jornada e ter coragem o suficiente de se despedir, mesmo que temporariamente, daquilo que é confortável para você.

Em algum momento você poderá voltar para esse lugar de conforto, mas agora é hora de você voar. A mudança está na sua porta batendo. Você a deixa entrar?

Sinceramente, não sei se existe algum estudo social sobre, mas escrevo aqui as minhas percepções e, não, isso não é um texto de autoajuda. A Dona Mudança e eu somos amigas de longa data e isso aqui é uma inspiração para o meu novo romance.

Deixe um comentário

Eu sou a Letícia

Internacionalista que encontrou seu caminho profissional na Comunicação. Por aqui você encontra devaneios, resenhas das minhas leituras, um pouco sobre as minhas viagens e outras coisas mais.


Me acompanhe